A decisão de ser mãe envolve sonhos, expectativas e, cada vez mais, planejamento. Esse cuidado não deve começar apenas com a decisão de engravidar ou com o início do pré-natal. A saúde reprodutiva da mulher começa muito antes — e a suplementação adequada de vitaminas e minerais tem papel fundamental nesse processo.
Nutrientes essenciais para a fertilidade
Micronutrientes como ácido fólico, vitamina D, zinco, ferro, ômega 3 e coenzima Q10 impactam diretamente o funcionamento hormonal, a ovulação, a receptividade uterina e a qualidade dos óvulos. Muitas vezes, mesmo mulheres saudáveis apresentam deficiências nutricionais que passam despercebidas, mas que comprometem a fertilidade e aumentam os riscos em uma futura gestação.
A ciência já demonstrou que alguns suplementos são especialmente relevantes para mulheres em idade fértil ou que pretendem engravidar nos próximos meses. Entre os mais estudados, destacam-se:
· Ácido fólico (vitamina B9): essencial para prevenir defeitos no tubo neural do bebê, além de importante na maturação dos óvulos. Deve ser iniciado pelo menos três meses antes da concepção.
· Vitamina D: atua na ovulação, no sistema imunológico e na receptividade endometrial. Níveis baixos dessa vitamina estão associados a menor taxa de gravidez natural e em ciclos de FIV.
· Coenzima Q10: antioxidante que auxilia na saúde mitocondrial das células. Em mulheres acima de 35 anos, pode melhorar a qualidade dos óvulos e o ambiente do embrião.
· Zinco e selênio: regulam a produção hormonal, favorecem a divisão celular e protegem o material genético.
· Ômega 3: tem efeito anti-inflamatório, melhora a vascularização uterina e modula hormônios ligados à ovulação.
Fertilização in vitro: preparando o terreno
Para mulheres que irão recorrer à fertilização in vitro (FIV), a suplementação adequada torna-se ainda mais estratégica. Estudos apontam que níveis ideais de determinados nutrientes podem aumentar a taxa de fertilização, melhorar a qualidade dos embriões e favorecer a receptividade endometrial, aumentando as chances de implantação.
A Coenzima Q10, por exemplo, tem sido utilizada em protocolos de preparo para FIV com bons resultados, especialmente em mulheres acima dos 38 anos. O ácido fólico, além de seu papel na prevenção de malformações, é fundamental para a multiplicação celular dos embriões.
O equilíbrio de vitaminas do complexo B, ferro, vitamina D e ômega 3 influencia diretamente a qualidade do endométrio — o “solo” onde o embrião irá se implantar. Quando esse ambiente está bem nutrido, as chances de sucesso aumentam.
Personalização na suplementação: saúde em primeiro lugar
É fundamental lembrar que cada mulher é única — e sua suplementação também deve ser. A automedicação ou o uso indiscriminado de polivitamínicos pode causar desequilíbrios hormonais, sobrecarga hepática e até interferir em tratamentos de reprodução assistida.
O ideal é realizar exames laboratoriais para identificar carências específicas e, com acompanhamento de um ginecologista especializado em reprodução, prescrever suplementação adequada em dose, forma e tempo de uso.
Antes de gerar uma vida, cuide da sua
Fertilidade não é apenas engravidar — é ter a liberdade de decidir o momento certo, com o corpo preparado e com menos riscos para mãe e bebê. A suplementação correta, aliada a bons hábitos de sono, alimentação equilibrada e controle do estresse, forma a base desse preparo silencioso e poderoso.
Cuidar da saúde reprodutiva é também cuidar da saúde mental, da autoestima e da autonomia. Ao investir nesse cuidado prévio, a mulher amplia suas possibilidades — seja para uma gestação natural, seja em um ciclo de fertilização in vitro.
Antes de gerar uma vida, é preciso nutrir a própria.
Maria Cecília Erthal (CRM 408660 RJ – RQE 30301)
Médica especialista em Reprodução Assistida e membro da Brazil Health