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Sofre com refluxo? conheça as opções cirúrgicas que podem resolver o problema

O manejo da DRGE inclui abordagens clínicas e cirúrgicas, sendo a intervenção cirúrgica considerada em situações específicas

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas como azia, regurgitação e, em casos mais graves, complicações esofágicas. O manejo da DRGE inclui abordagens clínicas e cirúrgicas, sendo a intervenção cirúrgica considerada em situações específicas.

Indicações Cirúrgicas
A cirurgia é indicada principalmente para pacientes que apresentam:

  • Falha no tratamento clínico: indivíduos que não obtêm alívio adequado dos sintomas com o uso de inibidores da bomba de prótons (IBPs) ou outros medicamentos;
  • Dependência medicamentosa prolongada: pacientes que necessitam de medicação contínua para controle dos sintomas;
  • Complicações da DRGE: como esofagite erosiva grave, estenose esofágica ou esôfago de Barrett;
  • Preferência do paciente: quando o paciente opta por uma intervenção cirúrgica após discutir os riscos e benefícios com o médico.

 

Opções Terapêuticas Cirúrgicas
As principais técnicas cirúrgicas para o tratamento da DRGE incluem:

Fundoplicatura de Nissen
Considerada o padrão-ouro no tratamento cirúrgico da DRGE, a fundoplicatura de Nissen envolve a criação de uma válvula antirrefluxo através do envolvimento total (360 graus) do fundo gástrico ao redor do esôfago distal. Este procedimento pode ser realizado por via laparoscópica, oferecendo menor tempo de recuperação e menores taxas de complicações. Estudos demonstram que, após 10 anos, 89,5% dos pacientes permanecem livres dos sintomas de refluxo.

Técnicas de Fundoplicatura Parcial
Para pacientes selecionados, podem ser consideradas técnicas de fundoplicatura parcial, como:

  • Fundoplicatura de Toupet: envolve o envolvimento parcial (270 graus) do fundo gástrico ao redor do esôfago;
  • Fundoplicatura de Dor: envolve o envolvimento anterior (180 graus) do fundo gástrico. Essas técnicas podem ser indicadas para reduzir o risco de disfagia (dificuldade para deglutir) pós-operatória em determinados pacientes.

Novas Técnicas
Recentemente, novas abordagens têm sido desenvolvidas para o tratamento da DRGE:

  • Implante de Dispositivo de Silicone (RefluxStop): esta técnica minimamente invasiva envolve a implantação cirúrgica de um dispositivo de silicone médico na junção esofagogástrica para manter sua posição adequada, reduzindo os sintomas de refluxo;
  • Fundoplicatura Transoral Sem Incisão (TIF/EsophyX): a TIF é realizada por via endoscópica, sem incisões externas, utilizando um tipo de grampeador específico para criar uma válvula antirrefluxo, envolvendo o fundo gástrico ao redor do esôfago distal e reforçando o esfíncter esofágico inferior;
  • Terapia de Estimulação Elétrica do Esfíncter Esofágico Inferior (EndoStim): consiste na implantação de um dispositivo que emite estímulos elétricos ao esfíncter esofágico inferior, reforçando sua competência e prevenindo o refluxo. O procedimento é realizado por via laparoscópica, com a colocação de eletrodos na região do esfíncter;
  • LINX Reflux Management System: o LINX é composto por uma série de esferas magnéticas de titânio conectadas para formar um anel, que é implantado cirurgicamente ao redor do esfíncter esofágico inferior (EEI) para reforçar sua função e prevenir o refluxo ácido do estômago para o esôfago. As propriedades magnéticas permitem que o anel se expanda durante a deglutição, possibilitando a passagem normal dos alimentos, e se contraia quando em repouso, evitando o refluxo.

Todas estas técnicas mais recentes apresentam resultados promissores, mas ainda não há dados sobre seguimento a longo prazo, o que trará respostas mais claras a respeito da eficácia destes procedimentos. São necessários estudos com um maior número de indivíduos, com todos os pormenores da metodologia científica, para que se tornem opções seguras a serem indicadas aos pacientes.

Considerações Finais
A escolha da intervenção cirúrgica deve ser individualizada, considerando as características clínicas de cada paciente, a presença de comorbidades e as preferências pessoais. É fundamental que a decisão seja tomada em conjunto com uma equipe médica especializada, garantindo uma abordagem segura e eficaz para o manejo da DRGE.

 

Dr. Antonio Couceiro Lopes – CRM 100656 SP RQE 26013
Cirurgião do Aparelho Digestivo