Perda de visão central: doença cresce entre idosos e pode ser irreversível

Condição ligada ao envelhecimento compromete leitura, direção e autonomia; diagnóstico precoce é essencial para preservar a visão

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma das principais causas de perda visual em pessoas acima dos 60 anos. A doença afeta a mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes, leitura, reconhecimento de rostos e tarefas de precisão. Com o envelhecimento da população, os casos de DMRI crescem rapidamente no Brasil, e o grande desafio é que ela pode avançar de forma silenciosa até comprometer, de maneira irreversível, a visão central. Embora não cause cegueira total, a DMRI limita profundamente a autonomia e a qualidade de vida do idoso.

A DMRI se divide em duas formas principais: seca e úmida. A forma seca, mais comum, progride lentamente, causada pelo acúmulo de depósitos na retina e pelo afinamento da mácula. Já a forma úmida, mais agressiva, ocorre quando vasos sanguíneos anormais crescem sob a retina e vazam líquido ou sangue, resultando em perda visual rápida. Em ambas as formas, o diagnóstico precoce é decisivo para prevenir danos permanentes.

Como a doença se desenvolve e os primeiros sintomas

O envelhecimento natural da retina é o principal fator de risco para a DMRI, mas outros elementos contribuem para sua progressão, como tabagismo, histórico familiar, obesidade, hipertensão e exposição excessiva ao sol sem proteção. A doença pode começar de forma discreta, com dificuldade para ler letras pequenas, necessidade de mais luz para enxergar e a percepção de que linhas retas parecem onduladas ou distorcidas. Nos casos mais graves, surge uma mancha escura ou borrada no centro da visão, impedindo atividades como ler, dirigir ou reconhecer pessoas.

O exame oftalmológico é fundamental para detectar precocemente essas alterações. Testes como o mapeamento de retina e a tomografia de coerência óptica (OCT) identificam mudanças antes mesmo de os sintomas aparecerem. Em pacientes com fatores de risco ou histórico familiar, avaliações anuais são recomendadas a partir dos 55 anos. Quanto mais cedo a doença é diagnosticada, maiores são as chances de preservar a visão central e manter a autonomia.

Tratamentos modernos e a importância do acompanhamento contínuo

Embora não haja cura para a DMRI, os tratamentos atuais conseguem controlar a progressão e preservar a visão em grande parte dos casos. Na forma úmida, o uso de medicamentos anti-VEGF, aplicados diretamente no olho, revolucionou o tratamento e reduziu consideravelmente o risco de perda visual severa. Essas aplicações bloqueiam o crescimento de vasos anormais e diminuem o vazamento de líquido ou sangue, estabilizando o quadro e, em muitos casos, melhorando a visão.

Para a forma seca, as estratégias incluem suplementação específica de antioxidantes, controle dos fatores de risco e acompanhamento frequente. Estudos indicam que dietas ricas em vegetais verde-escuros, peixes e alimentos com ômega-3 ajudam na saúde da retina. Em todos os casos, abandonar o tabagismo é uma das medidas mais importantes para retardar a progressão da doença.

A DMRI não impede a vida, mas pode limitar fortemente a independência. Por isso, conscientização, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento são fundamentais para garantir que o envelhecimento visual não comprometa a autonomia dos idosos. Com acompanhamento regular e terapias modernas, é possível manter a visão funcional por muitos anos e preservar a qualidade de vida.

Dra. Tayuane Ferreira Pinto – CRM/PR 37.321 – RQE 27.741

Oftalmologista

Membro da Brazil Health

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