Após a cúpula do BRICS, o presidente Lula recebeu nesta terça-feira (8) o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em Brasília. O encontro no Palácio do Planalto teve como foco fortalecer a parceria estratégica entre os dois países.
Durante a reunião, Lula e Modi definiram cinco áreas prioritárias para cooperação nos próximos anos. Eles também defenderam uma atuação conjunta pelo desenvolvimento do Sul Global.
Segundo Lula, “Brasil e Índia são nações irmãs” e não podem “permanecer distantes”. O presidente destacou que ambos os países enfrentam desafios parecidos e compartilham interesses estratégicos.
Entre os temas discutidos, estão defesa e segurança, segurança alimentar e nutricional, transição energética e mudanças climáticas, transformação digital e inovação tecnológica. Além disso, os países querem ampliar parcerias em setores industriais como aeronáutica, farmacêutico, petróleo, gás e minerais críticos.
Cobrança por mudanças na ONU e combate à fome
Durante o encontro, Lula voltou a criticar a composição do Conselho de Segurança da ONU. Para ele, “é inaceitável que países do nosso porte não ocupem assentos permanentes”. Segundo o presidente, Brasil e Índia têm defendido mudanças na governança global e atuam juntos em fóruns como o G20 e o BRICS para fortalecer o multilateralismo.
Outro tema central da conversa foi o combate à fome e à pobreza. Lula agradeceu a Modi pela participação da Índia na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. “Somos aliados naturais na resposta a dois dos maiores desafios do nosso tempo”, afirmou.
Relações econômicas em expansão
Brasil e Índia mantêm relações diplomáticas há quase 80 anos. Nos últimos anos, os laços comerciais entre as duas economias cresceram. A Índia já ocupa a décima posição entre os principais parceiros comerciais do Brasil. Em 2024, a corrente de comércio entre os dois países somou US$ 12 bilhões.
Além disso, a Índia é o sexto maior fornecedor de produtos ao mercado brasileiro. As exportações indianas para o Brasil chegaram a US$ 6,8 bilhões neste ano.
A visita de Modi acontece em um momento de aproximação entre as economias emergentes, que buscam mais espaço nas decisões internacionais e ampliam parcerias estratégicas para o crescimento sustentável.
Laura Basílio sob supervisão de Thiago San.