Como médicos não psiquiatras podem identificar sinais de risco de suicídio

Reconhecimento sensível e atitudes rápidas ajudam a salvar vidas, independentemente da especialidade médica
Reprodução: Freepik

Falar sobre prevenção ao suicídio geralmente remete ao trabalho do psiquiatra ou do psicólogo. No entanto, na prática, os primeiros sinais de sofrimento emocional podem surgir no consultório de outras especialidades médicas. O clínico geral, o neurologista ou até o cardiologista podem se deparar com pacientes que, além de sintomas físicos, manifestam um pedido de ajuda silencioso.

Identificando sinais sutis no consultório

Queixas vagas de dor, insônia persistente, fadiga sem causa aparente ou sintomas gastrointestinais frequentes podem estar relacionados à depressão, ansiedade ou outros transtornos mentais. Mudança repentina de peso, baixa adesão aos tratamentos e relatos de desesperança, mesmo que breves, devem chamar a atenção. Para o médico que não é especialista em saúde mental, a escuta cuidadosa é fundamental.

O valor da conversa humanizada

Não é necessário que todo médico seja psiquiatra, mas é essencial que todos estejam preparados para acolher. Perguntar de forma empática, sem julgamento, pode abrir espaço para que o paciente expresse seus sentimentos. Em muitos casos, essa escuta inicial é o primeiro passo para o encaminhamento adequado ao especialista, podendo evitar desfechos graves.

Agir sem demora diante de sinais de risco

Diante de qualquer indício de que o paciente possa atentar contra a própria vida, não se deve hesitar. Diretrizes da Associação Brasileira de Psiquiatria classificam o comportamento suicida como emergência médica, exigindo ação imediata. Isso significa garantir que o paciente não fique sozinho e providenciar encaminhamento urgente para avaliação especializada. Essa conduta célere pode ser decisiva para impedir uma possível tentativa.

Rede de cuidado integral

A prevenção ao suicídio não é responsabilidade exclusiva da psiquiatria. Médicos de todas as áreas podem contribuir, reconhecendo sinais precoces e oferecendo apoio. Essa rede de cuidado integral amplia as possibilidades de proteção e demonstra ao paciente que ele não está sozinho.

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, a mensagem é clara: cada médico, em qualquer especialidade, pode ser um agente de prevenção. Um olhar atento, a atitude acolhedora e a prontidão para agir são instrumentos tão valiosos quanto qualquer exame ou prescrição. Afinal, cuidar da saúde é zelar pelo corpo e também pela mente.

Dr. Alfredo Salim – CRM SP 43163 | RQE 132808

Clínica Médica e Medicina de Família

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