André Mendonça é escolhido como novo relator do inquérito do Caso Master

O caso aconteceu após Dias Toffoli anunciar a saída da relatoria do caso

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, foi o escolhido para ser o novo relator do inquérito do Caso Master. A informação foi confirmada na noite desta quinta-feira (12). O caso aconteceu após Dias Toffoli anunciar a saída da relatoria do caso.

A decisão de Toffoli foi tomada após reunião convocada pelo presidente do Supremo Edson Fachin para apresentar o relatório da Polícia Federal sobre dados do celular de Daniel Vorcaro. O documento cita o nome do ministro Dias Toffoli.

Em nota, os ministros afirmaram que não cabe suspeição no caso como foi pedido pela polícia federal. Reconheceram ainda a plena validade dos atos praticados por Toffoli dentro da ação.

A movimentação no STF é uma resposta direta ao relatório de 200 páginas da Polícia Federal, que detalhou mensagens encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de seu cunhado. O documento mencionava pagamentos que teriam como destino uma empresa da qual Toffoli é sócio.

Toffoli negou qualquer recebimento de valores ilícitos e afirmou que a empresa citada é um negócio familiar devidamente declarado. A decisão colegiada desta quinta-feira busca equilibrar a defesa técnica da conduta do ministro com a necessidade de afastar questionamentos sobre a imparcialidade do Judiciário diante da gravidade dos fatos narrados pela PF.

Mais cedo, o ministro chegou a afirmar ao presidente do supremo que não via impedimento nem suspeição que poderia causar a saída dele do caso e sustentou ao ministro Edson Fachin que não havia conflito de interesses.

Quem é André Mendonça

André Luiz de Almeida Mendonça, natural de Santos (SP), é uma figura central na composição atual do Poder Judiciário brasileiro. Empossado no Supremo Tribunal Federal (STF) em 16 de dezembro de 2021, ele ocupa a cadeira deixada pelo ministro Marco Aurélio Mello após ser indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro.

Sua trajetória é marcada por uma formação acadêmica robusta e uma carreira sólida no serviço público, além de uma identidade religiosa que frequentemente pauta o debate público sobre sua atuação.

Antes de chegar ao Supremo, Mendonça ingressou na Advocacia-Geral da União (AGU) em 2000, por meio de concurso público. Na instituição, ocupou cargos estratégicos como Corregedor-Geral e Diretor de Patrimônio e Probidade.

Atuação no Governo Federal

Durante a gestão de Jair Bolsonaro, Mendonça exerceu funções de alto escalão no Poder Executivo, o que o tornou um dos nomes de maior confiança do ex-presidente:

Advogado-Geral da União (2019-2020 / 2021): Capitaneou acordos de leniência que recuperaram bilhões para os cofres públicos.

Ministro da Justiça e Segurança Pública (2020-2021): Assumiu a pasta após a saída de Sergio Moro. Esse período foi marcado pelo uso da Lei de Segurança Nacional para investigar críticos do governo, o que gerou debates sobre liberdade de expressão e a atuação da Polícia Federal.

Atuação Recente no Judiciário

Atualmente, além de suas funções no STF, André Mendonça passou a integrar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho de 2024, sucedendo o ministro Alexandre de Moraes. No Supremo, ele tem sido relator de temas sensíveis, como o marco temporal de terras indígenas e questões ligadas à liberdade religiosa e ao direito penal.

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