Em entrevista exclusiva ao programa *O É Da Coisa*, apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo na BandNews FM, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente o ex-presidente norte-americano Donald Trump, que recentemente anunciou um tarifaço contra o Brasil. Em sua fala, Lula rebateu declarações de Trump, nas quais o republicano citou o petista e o ministro Alexandre de Moraes para justificar as medidas comerciais.
Durante o discurso, Lula também afirmou que venceria as eleições presidenciais de 2026, caso decidisse concorrer novamente. A fala veio no contexto de críticas à política comercial de Trump, que impôs tarifas de até 50% a produtos brasileiros, alegando questões políticas e de segurança.
Para amenizar os impactos econômicos da decisão norte-americana, Lula anunciou um pacote de R$ 30 bilhões em apoio a empresas afetadas pelas tarifas. Os recursos serão destinados a linhas de crédito, incentivos à exportação e medidas de fortalecimento do setor produtivo.
O governo brasileiro já havia se posicionado oficialmente contra a medida adotada por Trump, afirmando que a justificativa dada por Washington não condiz com as práticas comerciais e fere o espírito de cooperação bilateral.
Em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo, no programa *O É Da Coisa*, da BandNews FM, Lula afirmou que a linha de crédito de R$ 30 bilhões será destinada principalmente às pequenas empresas, mais vulneráveis ao impacto da taxação.
“Vai ter uma política de crédito. Estamos pensando em ajudar as pequenas empresas. As grandes têm mais poder de resistência. Vai ser extremamente importante para que a gente possa mostrar que ninguém vai ficar desamparado por causa da taxação do presidente Trump”, disse o presidente.
Lula afirmou ainda que o governo buscará novos mercados para reduzir a dependência das exportações para os Estados Unidos. “Nós vamos cuidar dos trabalhadores dessas empresas, vamos procurar achar outros mercados para essas empresas”, declarou.
Na mesma entrevista, Lula confirmou que o governo enviará nesta quarta-feira (13) ao Congresso Nacional uma proposta para regulamentar as redes sociais, após a denúncia feita pelo influenciador Felca.
O presidente explicou que a regulamentação é necessária para garantir segurança a crianças e adolescentes e responsabilizar as plataformas digitais por conteúdos ilegais. “O crime que é crime na vida normal tem que ser crime na vida digital”, afirmou.
Questionado sobre as críticas que afirmam que a medida fere a liberdade de expressão, Lula rebateu dizendo que os crimes cibernéticos devem ter o mesmo peso que os cometidos fora do ambiente virtual.
Sobre o relacionamento com Donald Trump, Lula afirmou esperar um encontro “como dois seres humanos civilizados” para discutir a relação entre Brasil e Estados Unidos. “Não é da parte do Brasil que tem algum empecilho na conversação”, afirmou.
O presidente disse ter sido surpreendido pela carta enviada por Trump, que considerou ofensiva e uma afronta à soberania brasileira. Segundo ele, o documento citava temas internos, como o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
Lula também defendeu a criação de uma moeda própria para transações comerciais entre países do BRICS, com o objetivo de reduzir a dependência do dólar. “Por que não posso negociar com a China na moeda chinesa e brasileira?”, questionou.
Sobre a questão das chamadas “terras raras”, o presidente afirmou que o assunto deve ser tratado em mesa de negociação e não por meio de ameaças comerciais. Lula revelou que está criando um conselho subordinado à Presidência para discutir a exploração mineral no Brasil.
O presidente rebateu informações divulgadas pelos Estados Unidos sobre o déficit comercial, afirmando que, em 15 anos, o Brasil acumulou um déficit de 400 bilhões de dólares na relação com os americanos.
Lula acusou Trump de querer interferir nas eleições brasileiras de 2026 e disse que o republicano poderia “fazer campanha para quem quiser” no país, mas ressaltou que quem é eleito toma posse.
Em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que ele “não sabe o que é democracia” e o comparou ao ex-deputado Paulo Maluf, ressaltando que a extrema direita representa um risco real ao regime democrático.
Por fim, Lula afirmou que não se preocupa com possíveis adversários na eleição de 2026 e que, caso decida concorrer, “não perderia”. Entretanto, ressaltou que sua prioridade no momento é governar o país.
Confira a entrevista na íntegra: