Oito dias depois dos terremotos que devastaram a Venezuela, deixando 2.295 mortos, e cerca de 38.600, equipes médicas que trabalham no cuidados dos feridos enfrentam agora novos desafio: conter infecções e doenças que podem se espalhar com a falta de água potável, um sistema de saneamento comprometido e hospitais em colapso.
Em entrevista para Paula Valdez, no Tarde Band News, o coordenador de operações de Médicos Sem Fronteiras para América Latina e Caribe, Fábio Biolchini, destacou a importância de cuidar dos sobreviventes depois que a fase crítica dos resgates passar.
“É uma transição para uma segunda fase que é cuidar dos sobreviventes colocar toda a infraestrutura de saúde e de abrigos para funcionar para evitar que tenhamos ainda outras crises em cima dessa crise, novas doenças, pessoas que não podem ser atendidas nos hospitais porque os hospitais estão superlotados".
MÉDICOS VENEZUELANOS TAMBÉM SÃO VÍTIMAS
O coordenador afirma que inúmeras pessoas atingidas já não podem receber tratamento hospitalar de qualidade. O motivo principal, segundo explica o representante da ONG, é que as unidades de saúde remanescentes estão superlotadas e, mesmo os profissionais de saúde locais, estão sob risco.
"Oito hospitais sofreram danos e não podem ser usados mais e esses profissionais, principalmente os de saúde venezuelanos, também são vítimas. Eles também perderam amigos, familiares, casas, e têm que estar atendendo esses novos pacientes".
DESAFIO SILENCIOSO DA SAÚDE MENTAL
Além dos traumas físicos evidentes e do colapso sanitário, a saúde psicológica dos sobreviventes tornou-se uma preocupação crescente. Os tremores secundários documentados na área mantêm a população local em um constante e desgastante estado de alerta.
"Essas réplicas causam um trauma permanente e repetitivo, as pessoas ficam com medo de perder o chão, literalmente. (...) Depois do período mais agudo, geralmente você tem verdadeiras epidemias de adoecimento mental”, conclui Biolchini.


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