Texto por João Vieira
As falas do senador e pré-candidato do PL à Presidência Flávio Bolsonaro na reunião em que tentava evitar o novo tarifaço do governo de Donald Trump repercutiram mal entre quem também estava na sala para defender o Brasil.
O relato foi feito pelo professor da Fundação Getúlio Vargas, Gustavo Pessoa. Em entrevista ao Manhã BandNews, ele contou que o incômodo começou antes mesmo do início da sessão na Comissão de Comércio Internacional.
"Você vê que o clima mudou totalmente. O Flávio já chegou atrasado, adiou o início da sessão. Ele e assessores não paravam de tirar fotos e falar ao telefone, fazendo filmagens em um recinto no qual é estritamente proibido fazer qualquer tipo de gravação".
Segundo Pessoa, integrantes da Mesa Diretora ficaram mais agitados e o chefe da sessão chegou a repreender Flávio, que estava acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro.
O "constrangimento" citado pelo professor se somou ao conteúdo do pronunciamento de Flávio, avaliado como muito "político" em um ambiente com considerações técnicas. Flávio criticou o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal, citando o que classificou como "censura" emitida pelos ministros do STF e pelo próprio presidente brasileiro.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio também atacou o Palácio do Planalto.
“É impressionante como tinha todo mundo lá: os defensores das empresas, dos produtos brasileiros, advogados, empresários, mas não tinha ninguém, nenhunzinho, do governo escalado para fazer a defesa”, declarou, em vídeo divulgado após o discurso.
Segundo quem estava presente, depois da declaração, Flávio decidiu ir embora por uma saída alternativa, pela garagem, para não ter contato com a imprensa.
Receptividade na audiência
O encontro aconteceu na segunda-feira (6) e na terça-feira (7) em Washington, D.C., capital americana.
Os americanos devem definir na semana que vem se aplicam ou não a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. No total, unida a outra taxação, o número pode chegar a 37,5%.
O professor Gustavo Pessoa diz ter visto interesse entre o integrantes da bancada que ouviam os argumentos. A partir de agora, deve ser feito um relatório técnico para depois uma decisão política ser tomada pelo governo Donald Trump.
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