O presidente Lula visitou nesta quinta-feira (3) a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar após ser condenada por corrupção. A reunião aconteceu na casa dela, em Buenos Aires, após a justiça a provar a visita do líder brasileiro.
Na rede social X — o antigo Twitter — Cristina divulgou fotos do encontro com uma legenda de fazia críticas ao governo de Javier Milei e ao judiciário argentino.
O que diz o post
A argentina afirmou que o encontro foi mais do que uma visita pessoal. Para ela, a presença de Lula representa um ato político de solidariedade entre líderes que, segundo suas palavras, sofreram perseguições judiciais em seus países. A ex-presidente disse que a Justiça argentina deixou de agir com independência e passou a atender aos interesses do poder econômico.
“Lula também foi perseguido, usaram a guerra jurídica contra ele, chegando a prendê-lo, e tentaram silenciá-lo. Não conseguiram. Ele voltou com o voto do povo brasileiro e de cabeça erguida. Por isso, hoje, SUA VISITA FOI MUITO MAIS DO QUE UM GESTO PESSOAL: FOI UM ATO POLÍTICO DE SOLIDARIEDADE.”
Na publicação, Cristina descreveu um cenário que chamou de “terrorismo de Estado de baixa intensidade”, expressão usada para se referir, ao que considera, práticas autoritárias no governo Milei. Ela denunciou a repressão a protestos e a prisão de militantes, citando a atuação da ministra da Segurança, Patricia Bullrich, que ordenou a detenção de jovens e mulheres ativistas.
Cristina também criticou as propostas de vigilância estatal. Segundo ela, o governo prepara medidas que permitem monitoramento de redes sociais sem autorização judicial e espionagem interna contra qualquer pessoa que questione o discurso oficial. Ela alertou para o risco de prisões preventivas sem provas de crime, apenas com base em opiniões e publicações online.
A ex-presidente denunciou ainda a queda nos níveis de liberdade de imprensa no país. Citou dados da organização Repórteres Sem Fronteiras, que apontam a Argentina como o país que mais perdeu posições no ranking global de liberdade de imprensa nos últimos dois anos. Ela relembrou o caso do fotojornalista Pablo Grillo, que ficou em coma após ser agredido enquanto cobria uma manifestação de aposentados.
No campo econômico, Cristina criticou os sucessivos aumentos nas contas de energia e gás durante uma forte onda de frio no país. Ela acusou o governo de aplicar um modelo neoliberal radical que, segundo ela, privilegia os mais ricos e deixa a população vulnerável, em uma situação semelhante ao que ocorreu no Chile durante a ditadura de Pinochet.
Apesar das críticas, a ex-presidente afirmou que a sociedade argentina não aceitará calada as medidas do governo Milei. Para ela, a mobilização popular será capaz de barrar o avanço autoritário, assim como aconteceu no Brasil com o retorno de Lula à presidência após sua prisão.